Acessibilidade e User Experience (UX) Acessibilidade em projetos web: como pensar desde o início

Vamos falar sobre a importância e o impacto de iniciar um projeto web pensando em acessibilidade desde o início e as boas práticas que podem ser utilizadas.

João Paulo Soares 7 de agosto de 2020

Não há como negar a necessidade de se pensar em acessibilidade em projetos web desde o início e em formas de incluir todos os tipos de pessoas na sociedade. As organizações estão cada vez mais cientes que precisam se adaptar à diversidade do seu público e, boa parte delas, já começou a pensar em acessibilidade desde o começo do planejamento de um determinado projeto. Diante disso, é de suma importância criar um ambiente digital inclusivo, permitindo que todas as pessoas, seja ela portadora de alguma deficiência momentânea ou crônica, tenham autonomia para realizar suas tarefas diárias.

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Impacto da acessibilidade em projetos web

De acordo com diversos estudos relacionados à elaboração de projetos, pensar em acessibilidade no início do desenvolvimento pode impactar, quando muito, em apenas 5% no custo previsto. No entanto, caso seja necessário implementar recursos de acessibilidade mais adiante ou readequá-lo após o projeto ser finalizado, esse custo pode variar entre 20 e 40%, pois, mudanças em um ambiente web, o trabalho de análise da acessibilidade de cada página, do código gerado, da acessibilidade dos elementos visuais, entre outras questões, gera um custo muito maior do que incorporá-las na base do projeto proposto.

Isto demonstra que, se a acessibilidade for considerada um requisito do projeto, e se ela estiver presente durante todo o desenvolvimento, muito pouco será afetado. Ao ser pensada desde o começo, por toda a equipe envolvida no projeto, o impacto no trabalho e nos custos serão bem pequenos. Por outro lado, o impacto positivo em relação à experiência do usuário será alto, fato que, comercialmente falando, justificará o investimento.

Quantidade de pessoas beneficiadas pelo uso da acessibilidade em projetos web

Outro ponto bastante importante a se considerar é que boa parte da população brasileira e mundial possuem algum tipo de deficiência. Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, com dados de 2011, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência – ou seja, uma em cada sete pessoas no mundo. Por outro lado, no Brasil, de acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial.

Criação de um ambiente acessível

Considerando estas questões, ao se pensar em acessibilidade num projeto, há algumas boas práticas que auxiliam em sua elaboração. A seguir vamos comentar brevemente sobre cada uma delas, tendo como base um manual do portal de acessibilidade do governo do Reino Unido. Alguns pontos a serem pensados são de acordo com cada pessoa:

  • Transtorno do espectro autista, é recomendável utilizar cores simples, escrever frases de forma clara e simples, criar botões descritivos (como, por exemplo, “anexar arquivos” ao invés de “clique aqui”), e construir layouts simples e consistentes;
  • Portadores de deficiência auditiva, é recomendável escrever de forma clara e simples, usar texto literal (evitar gírias, metáforas e palavras estrangeiras), usar legendas, fornecer transcrições para vídeos, dividir o conteúdo com subtítulo e permitir que o usuário escolha a melhor forma de consumir o conteúdo;
  • Portadores de dislexia, é recomendável usar imagens e outros elementos visuais para acompanhar o texto, alinhá-lo à esquerda e manter a consistência do layout. Outra boa prática é produzir materiais em outros formatos – como áudio e vídeo -, manter o conteúdo curto e direto, e permitir que os usuários alterem o contraste entre plano de fundo e texto;
  • Baixa visão, é recomendável permitir a variação de contrastes, ter um tamanho de fonte legível com possibilidade de alteração, utilizar fontes sem serifas, publicar todas as informações diretamente em páginas HTML, usar combinação de cores, formas e texto, construir um layout linear e lógico para garantir uma boa leitura, colocar botões e notificações no contexto, e não bloquear o zoom;
  • Portadores de deficiência física, é recomendável criar grandes áreas clicáveis, ter um espaçamento maior entre campos de formulários, projetar para que o recurso possa ser utilizado por teclado ou voz, fornecer atalhos, e outros recursos que reduza o esforço físico;
  • Ao projetar para usuários de leitores de tela, é recomendável descrever imagens, fornecer transcrições para vídeo, construir um layout linear e lógico, criar uma estrutura de código baseado em HTML5, construir para uso apenas do teclado, e escrever links e títulos autodescritivos.

Geralmente, este tipo de demanda surge de duas maneiras: com foco em atingir um público maior, por questões comerciais ou não, ou para a empresa estar dentro do Decreto-Lei nº 5.296, no qual o capítulo IV, sobre o acesso à informação e à comunicação, reitera que “será obrigatória a acessibilidade nos portais e sítios eletrônicos da administração pública na rede mundial de computadores (internet)”. Hoje o governo é obrigado a pensar em acessibilidade em projetos web.

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Considerações Finais

É bom lembrar que acessibilidade não é apenas permitir visualizar ou ter acesso a determinado conteúdo, mas sim possibilitar que o usuário o compreenda. Esses pontos descritos acima também valem para pessoas com deficiências temporárias ou circunstanciais.

Elaborar um projeto, pensando em acessibilidade desde o seu início, deveria ser algo tão natural quanto pensar na qualidade e usabilidade. Pensar no amplo acesso como requisito ou desejo, independente da atividade do negócio, é uma questão fundamental que deve ser considerada desde o princípio.

Para que a falta de sensibilidade e empatia dos envolvidos não seja um problema, deve existir um alinhamento no projeto. É de suma importância que as pessoas entendam quem farão uso dos recursos acessíveis, que se sintam parte da mudança positiva que irá ocorrer, e percebam como pequenos recursos podem ser de grande ajuda para o usuário.

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    João Paulo Soares

    Possui MBA em Arquitetura e Engenharia de Software e bacharelado em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul - USCS. Realizou intercâmbio acadêmico em Jornalismo pela Facultad de Letras y Comunicación da Universidad de Colima, no México. Atuou como redator de entretenimento e tecnologia na rádio Metropolitana FM e atualmente trabalha como Analista de Qualidade de Software.

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