Cabos submarinos: sua internet cruzando oceanos

Você já se perguntou como os dados trafegam de uma cidade até a outra? Entre países? Ou melhor, entre um continente e outro?

Provavelmente você já passou por situações em que tem a necessidade de ligar para uma nova operadora de internet para instalá-la em sua casa e obteve a seguinte resposta: “- No momento nós não temos uma rede cabeada próximo à sua residência, mas em breve a fibra óptica chegará até você e poderemos lhe oferecer o nosso produto”. Neste caso, fica fácil imaginar que a sua internet irá chegar via cabo da sua residência até a operadora que irá contratar e utilizarão, possivelmente, postes de energia elétrica como suporte para colocar os cabos. Isso se dá entre uma cidade e outra, regiões próximas, etc.

Mas o que acontece entre regiões separadas por oceanos? Brasil e Europa? EUA e Japão? Neste ponto entram os cabos transoceânicos. Então, vamos conhecer mais sobre eles, os responsáveis por conectar você até os cantos mais distantes do mundo.

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Um pouco de história

Cabos de comunicação ligando regiões através de oceanos não é algo tão novo assim. O primeiro foi lançado ao mar em meados de 1851 no canal Inglês de Dover. Em 1958, foi lançado o primeiro cabo submarino transatlântico metálico que ligava a Inglaterra a América do Norte. Era muito frágil e a largura de banda era muito limitada, permitia apenas o envio de duas palavras por minuto. A primeira mensagem transmita foi: “Glory to God in the highest, and on Earth, peace, good will to men” (“Glória a Deus no alto, e na Terra paz e boa vontade aos homens”, na tradução).

No Brasil, o primeiro cabo lançado ao mar ocorreu em 1857, fazia parte da primeira linha telegráfica brasileira e ligava a Praia da Saúde no Rio de Janeiro à cidade de Petrópolis.

Claro que os primeiros cabos lançados ao mar não eram tão resistentes e a latência era relativamente baixa, já para a época. Porém, isso mudou bastante graças ao desenvolvimento de cabos metálicos e posteriormente cabos ópticos.

Conectando o mundo

Para manter as diversas partes do mundo conectadas não é uma tarefa fácil. Vai desde o planejamento, produção dos cabos e definição de rotas até futuras manutenções.

Antes de jogá-los ao mar é necessário um bom planejamento da melhor rota possível para a instalação. É feita uma avaliação do local para que o caminho escolhido seja o mais plano possível, não contenha fendas e que não seja um local de oscilações de terremoto ou qualquer influência que possa interferir de maneira negativa na transmissão dos dados.

Após este trabalho minucioso de escolha das rotas a serem seguidas, é hora de lançar os cabos ao mar. Para isso é necessário um navio para realizar o transporte e lançamento dos cabos enquanto um robô submarino faz seu serviço no fundo do oceano realizando uma pequena escavação para deixar os cabos. Você pode ver este processo de forma resumida no vídeo abaixo produzido pela Global Marine Systems.

Mesmo após uma boa análise para o lançamento dos cabos, eles ainda podem sofrer danos. Como por exemplo ser atingido por barcos de pesca ou serem atacados por tubarões (parece estranho, mas acontece).

Estes cabos estão por toda parte, atualmente são mais de 360 cabos no fundo dos oceanos, ligando vários países e continentes. Apenas a antártica não possui nenhum ponto de conexão com estes cabos. Você pode ver no mapa abaixo as rotas existentes até o momento:

Atualmente o cabo óptico submarino de maior extensão é o SeaMeWe-3, com o tamanho em torno de 39.000 Km saindo do sudeste Asiático, passando pelo Oriente Médio até a Europa conectando 32 países.

Como você já deve ter percebido, manter o mundo conectado não é algo simples e, consequentemente, não muito barato! São milhões de dólares envolvidos em uma conexão submarina. Mas se os cabos submarinos são expostos a vários perigos além de ser caro, por que não utilizar satélites?

Os cabos submersos são bem mais vantajosos, principalmente por dois motivos: não estão sujeitos a chuvas fortes ou tufões que podem afetar o sinal da comunicação via satélite e a distância percorrida pelo sinal é bem mais curta pelo fundo do mar do que via satélites que orbitam à terra. Além disso, a velocidade de transmissão via fibra óptica chega até 1.000 vezes maior do que a comunicação via satélite. Hoje, a média de velocidade dos cabos transoceânicos chega a aproximadamente 4 Tbps (Terabites por segundo).

Futuras conexões Brasileiras

O Brasil já possui vários cabos que ligam à América do Norte, Sul e Central e alguns à Europa e África. Contudo o número de conexões deve aumentar.

Já está planejado um cabo ligando o Brasil à Angola, previsto para entrar em funcionamento em julho de 2018. Este cabo ficou denominado como “South Atlantic Cable System (SACS)” e possuirá uma extensão de aproximadamente 6.200 Km através do Oceano Atlântico. Além disso, o SACS prevê uma capacidade média de 40 Tbps.

Além do SACS, outro cabo pretende ligar Brasil e Espanha até 2019. Este projeto possui um investimento estimado de R$ 660 milhões (aproximadamente 212 milhões de doláres) que custeará o projeto e instalação de aproximadamente 12.200 Km de cabos ópticos.

Agora, quando você estiver trocando mensagens com pessoas ou acessando sites do outro lado do mundo, saiba que o caminho percorrido pelos seus dados é bem mais complexo do que você imaginava.

Compartilhe com a gente o que você achou dos cabos transoceânicos.

Um abraço e até a próxima!

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Instrutor, Desenvolvedor Android, Mestrando em Bioinformática pela UFMG, MBA Executivo em Gerenciamento de Projetos pela UCAM, Graduado em Ciência da Computação pela FUNIP, Membro da SBC, ACM e AB3C.