Object Calisthenics em PHP – Parte 2

Este artigo é uma continuação do anterior. Para relembrarmos, abaixo a lista dos assuntos e em negrito os que serão abordados nesse artigo:

  1. Um nível de indentação por método
  2. Não use ELSE
  3. Envolva seus tipos primitivos
  4. Envolva suas collections em classes
  5. Uma chamada de método por linha
  6. Não abrevie
  7. Mantenha as classes pequenas
  8. Não tenha classes com mais de duas variáveis de instância
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3. Envolva seus tipos primitivos

Podemos definir esse exercício para os tipos escalares em PHP que são: int, float, bool e string. “Envolver” vem de um significado da programação orientada a objetos, que quer dizer, colocar o tipo “envolta” de uma classe, a fim de trazer mais resultados e funcionalidades do que um tipo comum/escalar.

Essa técnica vêm de uma aplicação do DDD (Domain-Driven Design) chamada de Value Object, onde temos um objeto-valor pequeno, que irá cuidar de um tipo de dado específico. Como o PHP é fracamente tipado, a melhor aplicação será em passagens de parâmetros de métodos ou funções. Veja o código abaixo:

class Customer
{
    protected $name;
    protected $birthday;

    public function __construct(string $name, string $birthday)
    {
        // Validar aqui???
        $this->name = $name;
        $this->birthday = $birthday;
    }
}

Ambos parâmetros são validáveis e não é legal validarmos no construtor da classe, pelo fato de não podermos reaproveitar as validações. Já o fato de forçarmos os atributos como string na entrada, algo errado pode acontecer se o desenvolvedor que está usando a classe não souber, por exemplo, qual padrão de data utilizado para a entrada $birthday, o que pode gerar um problema lá na frente, possivelmente no banco de dados.

Abaixo um exemplo de bom e outro de mau uso da classe:

// Programador que conhece a classe
$customer = new Customer('John Doe', '1983-02-10');

// Programador que não conhece a classe
// pode gerar um 0000-00-00 no Database
$customer = new Customer('John Doe', '10/02/1983'); 

Poderíamos então usar duas classes que farão envolvimento no tipo string, por exemplo:

  • CustomerName: que cuidará de validação de nome de cliente, pode verificar tamanho, fazer trim, e até limpeza.
  • CustomerBithday: Mais importante que o nome, ela vai validar o formato da data ou até mesmo formatar a entrada como, por exemplo, converter 10/02/1983 para 1983-02-10, evitando assim um problema de inconsistência, lembrando que não precisa ser necessariamente uma classe e, seguindo o princípio de inversão de dependência, podemos facilmente trabalhar com interfaces seguindo estratégias.

Como ficaria após a implementação dessas classes:

class Customer
{
    protected $name;
    protected $birthday;

    public function __construct(CustomerName $name, CustomerBirthday $birthday)
    {
        $this->name = $name;
        $this->birthday = $birthday;
    }
}

Usando:

// Programador que conhece a classe
$customer = new Customer(
     new CustomerName('John Doe'), 
     new CustomerBirthday('1983-02-10')
);

// A data será formatada internamente
$customer = new Customer(
    new CustomerName('John Doe'), 
    new CustomerBirthday('10/02/1983')
);

Um possível problema dessa abordagem é que ela adiciona complexidade à base de código. Na tradução dos Object Calisthenics, é colocado que todos os tipos primitivos devem ser envolvidos em classes, porém, sabemos que em PHP isso pode se tornar improdutivo e desnecessário, portanto, analise o quanto aquela entrada ou tipo pode sofrer mudança, se precisa de validação, normalização etc, só aplique-o se tiver uma real justificativa.

4. Envolva suas collections em classes

Semelhante ao exercício anterior, devemos envolver nossas coleções. Isso significa que trabalhar com um CustomerList é melhor do que com um array, neste caso, o uso dará uma melhor flexibilidade para o tratamento da coleção.

Abaixo uma usabilidade com e outra sem coleção em classe:

// A lógica fica fora, o que pode trazer problemas futuros
foreach ($customers as $customer) {
    if ($customer->isGoldAccount()) {
        $customer->addBonus(new Money('R$ 50,00'));
    }
}

Nesse exemplo queremos adicionar um bônus aos clientes do tipo gold. $customers é um array e por isso para modificar a coleção, precisamos iterá-la com um foreach e ainda internamente verificar se o tipo do cliente é gold.

Se usarmos uma classe que envolve a coleção, ou seja, uma CustomerCollection ela poderá ter 2 métodos:

  • Para filtragem de tipos de clientes: filterGoldAccounts.
  • Para adicionar aos clientes o bônus: addBonus.

A usabilidade ficaria assim:

$customersCollection = new CustomersCollection; // Classe com Lazy Loading

// Filtramos os clientes de conta Gold
$goldCustomers = $customersCollection->filterGoldAccounts();

// Adicionamos pela collection o bonus de R$ 50,00
// filtrado pela classe de coleção
$goldCustomers->addBonus(new Money('R$ 50,00'));

// Por fim persistimos
$goldCustomers->persists();

Assim, temos coleções que são específicas e inteligentes o suficiente para melhorar a usabilidade e evitar erros de programação. No PHP temos um conjunto de classes padrão para lidar com listas, a SPL(Standard PHP Library) que tem uma sessão dedicada a iteradores.

5. Uma chamada de método por linha

Devemos sempre fazer uma chamada de método por linha, não se aplicando à bibliotecas que usam do padrão Method Chaining ou DSL(Domain Specific Language).

Para seguir esse exercício não devemos, por exemplo, ao desenvolver um conjunto de Models, relacioná-los com métodos em cadeia, isso pode ser uma péssima ideia, segue um exemplo:

$customer->getById(55988)
         ->getPurchase(18376)
         ->getProducts()
         ->filterById(234);

Queremos resgatar um produto do pedido de um cliente, pode-se parecer muito prático, porém, alguns problemas poderão ocorrer e é muito difícil testar um bloco desses. Como saber se getPurchase encontrou o pedido? E se não encontrou, o que acontece? Nesse caso, vem outra problemática: e se o pedido não contém itens ainda? E temos um retorno null, certamente teremos um erro de método não encontrado.

Por isso, para garantir que tudo ocorreu certo, podemos seguir a Lei de Demeter, ela diz que devemos somente conversar com classes próximas, então, criamos um método para conversar e filtrar o que precisamos, ao invés de percorrer pelos Models que estão distantes. Não focaremos na implementação, porém, o conceito de uso abaixo pode ilustrar essa aproximação:

// Resgatando o model isoladamente
$customer = $customerModel->getById(55988);

// Aproximação: método que pertence a Customer
// sua implementação cuidará de retornos nulls
$product = $customer->getPuchasedProduct(18376, 234);

O principal objetivo desse exercício é não sair percorrendo por objetos retornados em chamadas de métodos, usar chamadas de vários métodos em linha pode gerar muitos problemas de manutenção, dificuldade de entendimento e testes mal escritos. Costuma-se dizer que gera um código que “cheira mal”.

Conclusão

Esses exercícios são mais aprofundados e devem ser estudados com calma, não devemos seguí-los somente por que parece ser o certo, devemos entender a motivação por trás deles, lembrando que nenhuma dessas técnicas são balas de prata e vão servir para toda modelagem, o bom senso é a melhor direção.

Até o próximo artigo da série!

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