GitHub

Hospedando o Portfólio criado com o Pingendo

No artigo anterior, Criando um Portfólio com o Pingendo, utilizamos a ferramenta para criar um Portfólio simples e rápido, para que você possa utilizá-lo para compartilhar suas experiências de maneira mais organizada na web.

Neste artigo estaremos hospedando este Portfólio de maneira gratuita.

Ferramenta utilizada

Utilizaremos o GitHub Pages para realizar esta hospedagem do nosso Portfólio.

O GitHub Pages é um website para que você possa hospedar seus projetos diretamente do seu repositório do GitHub.

Criando o repositório

O primeiro passo após logar em sua conta do GitHub é criar o repositório. Para isso, vamos até a página https://github.com/new e configuramos as preferências do repositório (nome, descrição e privacidade), como mostra a imagem abaixo:

Subindo a página

Neste passo será obrigatório o uso do Git instalado em sua máquina. Caso não o possua, você pode ver o processo de instalação e primeiros passos no seguinte artigo: Primeiros passos com Git.

Com o Git instalado e configurado, precisamos commitar o código-fonte da nossa página. Para isso, no GitBash e dentro da pasta do Portfólio, utilizamos os seguintes comandos:

git init
git remote add origin https://github.com/nome_do_usuario/nome_do_repositorio.git
git add .
git config --global user.email “seuemail@dominio.com”
git commit -m “Commit inicial”
git push -u origin master

Lembrando que você terá que alterar o nome do usuário e nome do repositório com base nas informações que foram obtidas no momento da criação do repositório, como mostra a imagem abaixo.

Ativando o GitHub Pages

Após commitar o código-fonte do Portfólio, vamos até a aba “Settings” e ao, final dela, ativaremos o GitHub Pages. Para isso, selecionamos a “Branch Master” como mostra as imagens abaixo:

Com isso, o Portfólio já está hospedado e disponível no seguinte endereço: https://nome_do_usuario.github.io/nome_do_repositorio/

Concluindo

Nesta série de artigos, vimos o quão fácil pode ser a criação e hospedagem de um Portfólio totalmente gratuito utilizando o GitHub Pages e Pingendo.

Git e GitHub: quais as diferenças?

Muitas pessoas pensam que Git e GitHub são a mesma coisa. Isso é uma dúvida comum principalmente de quem está começando. Entender cada um deles e como eles funcionam é importante, pois se não agora, uma hora você vai precisar.

O que é o Git?

O Git é um sistema de controle de versão de arquivos. É um software livre e muito utilizado no desenvolvimento de software onde diversas pessoas estão contribuindo simultaneamente, podendo criar e editar arquivos. Sempre quando alguém disponibiliza sua parte do projeto no Git, ele gerencia as alterações feitas e guarda um histórico. Isso é importante pois se houver algum problema você pode desfazer as alterações e voltar para a versão que estava estável.

O Git foi projetado e desenvolvido pelo Linus Torvalds para o desenvolvimento do Linux e foi adotado por muitos outros projetos.

Existem sites que provêm hospedagem gratuita de código fonte para repositório Git, um deles é o GitHub.

O que é o GitHub?

O GitHub é uma plataforma onde você pode armazenar seus projetos. É como se fosse uma rede social, só que de códigos, onde seus desenvolvedores podem disponibilizá-los para outras pessoas verem.

Quando seu projeto está no GitHub, você pode facilmente baixar uma cópia em outro computador. É uma plataforma gratuita e armazena milhões de projetos, tanto open source, pessoais e até mesmo comerciais. Alguns projetos bem conhecidos são o WordPress e o Linux. Hoje o GitHub pertence a Microsoft, que o adquiriu no ano de 2018.

Muitas pessoas utilizam o GitHub como portfólio de seu trabalho para que empresas possam vê-lo. Se você ainda não possui um GitHub e quer fazer parte, basta criar uma conta e um repositório.

O GitHub só suporta o Git, então para você subir seus projetos deve utilizá-lo, mas a integração entre eles é bem fácil. Agora caso queira utilizar somente o Git, não tem problema. Ao contrário do GitHub, o Git não depende do GitHub para ser utilizado.

Se você quiser aprofundar seus conhecimentos no Git e GitHub, conhecer os comandos e tudo mais, dá uma conferida no nosso curso 😊

Até mais!

As principais plataformas para armazenamento de código-fonte

Três grandes plataformas de controle de versão de código-fonte tem caído no gosto popular dos desenvolvedores. O GitHub, GitLab e BitBucket ganharam espaço com o passar do tempo e se tornaram aliados indispensáveis aos desenvolvedores para hospedarem seus códigos-fonte e disponibilizar seus projetos de forma simplificada.

Sendo assim, neste artigo veremos sobre cada um deles e suas características.

GitHub

O GitHub foi um dos pioneiros em hospedagem de repositórios Git, onde qualquer usuário que possua cadastro na plataforma pode contribuir com projetos privados ou Open Source. Possui grandes projetos hospedados, como por exemplo, WordPress, Atom, GNU/Linux, entre outros. Assim como consta em sua página inicial, todo desenvolvedor poderá hospedar, analisar, gerenciar projetos e construir softwares ao lado de 31 milhões de outros desenvolvedores e mais de 2,1 milhões de empresas e organizações que também utilizam o GitHub.

Em 4 de Julho de 2018 foi comprado pela Microsoft com valores estimados em cerca de US$ 7,5 bilhões.

Aqui no blog, possuímos um artigo bem legal sobre esta compra, que você pode conferir através do link:

https://www.treinaweb.com.br/blog/microsoft-compra-o-github-e-agora/

Mas, quais as maiores vantagens em se utilizar o GitHub?

A primeira delas é que a maioria dos projetos Open Source estão hospedados por lá, assim os desenvolvedores possuem uma grande quantidade de projetos para contribuir. Além disso, muitas empresas analisam seu histórico de contribuição em projetos, utilizando a ferramenta como meio de análise de perfil profissional.

Por seus quase 11 anos de existência e por ter sido o primeiro site de hospedagem de repositórios Git é, sem dúvida, o maior de todos eles, com diversos usuários e seus milhões de repositórios.

Além disso, caso você seja estudante, poderá usufruir de uma conta PRO do GitHub e ainda contar com diversas outras vantagens, como citado no artigo “Como obter uma licença para estudante no GitHub” que você pode conferir acessando o link abaixo:

https://www.treinaweb.com.br/blog/como-obter-uma-licenca-para-estudante-no-github/

GitLab

O GitLab, assim como o GitHub, também é uma plataforma para gerência e hospedagem de código fonte.

Possui uma interface simples e intuitiva e permite que qualquer usuário da plataforma possa criar repositórios privados e públicos de forma gratuita. Porém, os repositórios privados só podem ser contribuídos por uma quantidade limitada de usuários.

Diferente do GitHub, o GitLab é um projeto Open Source, mantido por toda comunidade. Além disso, permite que os desenvolvedores armazenem seus projetos em seus próprios servidores.

Possui múltiplos níveis de permissão (Convidado, Repórter, Desenvolvedor, Mestre e Dono), que serve para determinar os papéis de cada profissional no projeto, como podemos ver acessando o link abaixo:

https://docs.gitlab.com/ee/user/permissions.html

Possui também todo um conjunto de software para gerenciar seu projeto do início ao fim que, como eles se autodenominam, “A full DevOps tool”.

Aqui no blog, possuímos um artigo muito interessante sobre “O que é Devops” que você poderá conferir no link abaixo:

https://www.treinaweb.com.br/blog/afinal-o-que-e-devops/

Por fim, o GitLab permite que você desenvolva seus códigos online, utilizando um ambiente de desenvolvimento integrado (IDE) acoplado na ferramenta, fornecendo ao usuário colorização de sintaxe básica para uma variedade de linguagens de programação.

Além disso, possui IntelliSense e suporte de validação e formatação para as principais linguagens de script e marcação do mercado, como: TypeScript, JavaScript, CSS, LESS, SCSS, JSON e HTML.

BitBucket

O BitBucket, assim como o GitHub e o GitLab, é uma plataforma para hospedagem e gerência de código-fonte de projetos. Escrito em Python, o BitBucket é indicado para pequenas equipes com orçamento limitado, já que é uma opção mais barata e permite que sejam criados repositórios privados para até 5 desenvolvedores de forma gratuita.

Os preços do BitBucket são os mais acessíveis, se comparado ao GitHub e GitLab, possuindo três tipos de planos (Free, Standard e Premium) com os seguintes preços:

Possui integração com o Jira e o Trello, permitindo que os repositórios possam ser gerenciados a partir destas ferramentas.

O BitBucket possui suporte a integração contínua utilizando Pipelines, uma ferramenta que permite implantar, monitorar e confirmar seu código, para posteriormente, começar a planejar o próximo conjunto de modificações sem sair do BitBucket.

Concluindo

Vimos neste artigo, as três principais plataformas para gerenciamento e armazenamento de código-fonte, desta forma, cabe ao desenvolvedor escolher a que mais o agrada, levando em consideração suas características e particularidades.

Escolher um armazenador de código-fonte é uma forma simples e eficaz para que seus projetos sejam armazenados de forma organizada e que possam ser contribuídos por qualquer desenvolvedor, independente de sua localização.

Como obter uma licença para estudante no GitHub

O GitHub possui uma licença para estudantes que provê diversos recursos a alunos a partir dos 13 anos de idade que estejam devidamente matriculados em instituições de ensino. O Student Developer Pack tem como objetivo fornecer aos alunos o acesso gratuito às melhores ferramentas de desenvolvimento e neste artigo veremos como obter esta licença e quais as suas vantagens.

Criando uma conta

A partir do link https://education.github.com/pack é possível realizar seu cadastro sobre os seguintes passos:

Através do link do GitHub Education, você encontra uma breve descrição sobre o Student Developer Pack e motivos de sobra para concluir sua inscrição, como os serviços que serão disponibilizados para quem possuir esta licença. Ao clicar em “Get your Pack”, você será direcionado para a seguinte página:

É necessário para o GitHub saber se de fato você é estudante, já que a licença do Student Developer Pack é destinada exclusivamente para esta classe. Ao clicar no botão “Yes, I’m a student’, o próximo passo é preencher as informações, conforme cadastro mostrado abaixo.

O formulário acima possui dois tipos de cadastro: a partir do e-mail institucional e a partir de um comprovante de matrícula. Veremos abaixo como proceder em cada um dos casos.

E-mail institucional

Caso sua instituição de ensino forneça e-mail institucional clique no botão “Add an email address” e insira o endereço deste e-mail, informando o ano de sua graduação e como deseja utilizar o GitHub. Após isso, submeta as informações.

Algumas instituições de ensino fornecem de forma gratuita este tipo de e-mail, verifique se sua universidade se encaixa no fornecimento deste serviço, caso contrário, há uma segunda alternativa, na qual falaremos logo abaixo.

Comprovante de matrícula

A segunda opção é o upload do comprovante escolar atualizado ou qualquer documento que sua universidade/escola utiliza para comprovar sua matrícula ativa.

Ao clicar em “Upload proof of your academic status”, você poderá carregar o arquivo de comprovação escolar (o tipo de arquivo deverá ser gif, jpeg ou png), selecionar o e-mail da sua conta do GitHub, inserir o nome de sua escola, ano de graduação, como deseja utilizar GitHub e submeter seu pedido para análise.

Após envio, o GitHub fará uma análise das informações enviadas. O prazo estabelecido é de até 5 dias úteis, conforme exibido na página abaixo.

Vantagens

No total, 25 ferramentas fazem parte das vantagens oferecidas a partir da licença do Student Developer Pack.

Dentre as ferramentas temos: DigitalOcean, Heroku, Travis CI, Transifex, dentre outros. No link https://education.github.com/pack é possível visualizar todas estas ferramentas e o tipo do benefício, que poderá ser de 1 ano, 2 anos ou até o final do prazo da licença.

Após o prazo de 5 dias, você receberá um e-mail informando sobre o resultado do processo, conforme imagem abaixo.

Se este for positivo, sua conta já possuirá todos os privilégios de uma conta PRO do Github, com permissão para criar repositórios privados, além de todas as ferramentas disponíveis por seus parceiros.

Criando páginas para repositórios com o GitHub Pages

O GitHub é uma das maiores ferramentas para armazenamento e gestão dos nossos projetos. Ele possui um recurso bem interessante que facilita a divulgação e apresentação dos projetos lá hospedados. Este recurso é o GitHub Pages, que permite que criemos uma página web para nossos repositórios totalmente gratuita. Legal né? Então fica ligado que neste artigo veremos como criar uma página de apresentação para um repositório.

Criando o repositório:

A primeira coisa a se fazer é criar um repositório no GitHub para que consigamos gerar a página web para ele. Para isso, vamos até a rota https://github.com/new e configuramos todas as suas preferências:

Nesta página vamos informar o nome do repositório, sua descrição e o tipo de visibilidade (público ou privado). Feito isso, clicamos no botão verde “Create repository”.

Ativando o GitHub Pages:

Após isso, o repositório será criado e seremos redirecionados para sua tela inicial. Lá, clicamos no botão “Settings” no menu superior da tela. A partir disso, seremos redirecionados para a tela de configurações do repositório que, dentre diversas configurações, existe uma seção chamada “GitHub Pages”, conforme podemos ver abaixo:

Nesta seção há duas opções. Podemos criar uma página a partir de um código presente no próprio repositório ou por meio de um modelo disponibilizado pelo próprio GitHub. Caso você queira desenvolver sua própria página, selecione a branch que você quer salvar seu arquivo index.html e clique no botão save (primeira parte da seção).

Selecionando o tema

Para este artigo, vamos selecionar um modelo disponibilizado pelo próprio GitHub. Sendo assim, clicamos no botão “Choose a theme”. Feito isso, uma nova página será aberta onde podemos ver a lista de todos os temas disponíveis para uso:

Agora é só selecionar o que você prefere e clicar no botão verde “Select Theme”. Feito isso, uma janela para que possamos customizar a página do nosso repositório será aberta. Vale lembrar que as informações são escritas em Markdown, por isso precisamos seguir este formato.

Após editar o conteúdo da nossa página, vamos até o final da mesma e clicamos em “Commit Changes”. Isso irá gerar um novo commit com as mudanças feitas.

Finalmente, após todos estes passos, já podemos acessar a página do repositório através da rota:

https://treinaweb.github.io/repositorio_teste_github_pages/

Concluindo:

Com isso, notamos o quão fácil é criar uma página de apresentação para nossos repositórios de forma totalmente gratuita. Podemos, também, utilizar projetos um pouco mais complexos utilizando HTML, CSS e JavaScript, mas isso fica para um próximo artigo, ok? 🙂

Um abraço e até lá!

Microsoft compra o GitHub. E agora?

A segunda-feira começou com uma notícia que pode ter um grande impacto sob a comunidade de software global: a Microsoft comprou o GitHub em uma transação no valor de US$ 7,5 bilhões. Passado todo o frisson causado por essa notícia, chega a hora de fazermos uma análise mais lógica: quais serão os possíveis impactos para nós como desenvolvedores com relação a esta aquisição da Microsoft?

Antes de tudo: o que é o GitHub?

O GitHub é um dos mais populares serviços de hospedagem de código no mundo. Trata-se de um serviço baseado na web para hospedagem de código através do Git – uma ferramenta distribuída de controle de versão open source.

Aqui já entra um ponto que merece destaque e é fruto de confusão: o GitHub usa o Git por baixo dos panos para gerenciar os códigos que são enviados para ele. O GitHub não é o Git. Vários outros serviços oferecem serviços parecidos com o GitHub, sendo inclusive concorrentes entre si. Alguns destes serviços são o GitLab e o BitBucket. Todos estes são, assim como o GitHub, serviços web de hospedagem de código baseados no Git.

Basicamente, o GitHub pode ser usado em sua versão web de duas formas: através de repositórios públicos ou através de repositórios privados (quando falamos sobre repositórios, estamos falando sobre “locais” onde o nosso código pode ser armazenado e compartilhado entre desenvolvedores de qualquer lugar do mundo). A precificação varia de acordo com a tabela abaixo:

Plano Preço Informações
Gratuito Criação de repositórios públicos de maneira ilimitada
Desenvolvedor US$ 7/mês/desenvolvedor Criação de repositórios públicos e privados de maneira ilimitada
Time US$ 9/mês/desenvolvedor Criação de repositórios públicos e privados de maneira ilimitada, controle de acesso aos repositórios entre múltiplos usuários. Mínimo de 5 desenvolvedores no time.
Empresarial – hospedado no GitHub US$ 21/mês/desenvolvedor Criação de repositórios públicos e privados de maneira ilimitada, suporte 24/5, tempo de SLA de até 8h úteis.
Empresarial – hospedado em infraestrutura própria sob consulta Criação de repositórios públicos e privados de maneira ilimitada, suporte 24/7, suporte a múltiplas organizações.

No caso de repositórios públicos, nenhuma taxa é cobrada: a hospedagem do código é completamente gratuita. Porém, repositórios públicos (e, consequentemente, o código contido neles) podem ter seu conteúdo visualizado por qualquer pessoa (mesmo aquelas que não possuem uma conta no GitHub). É nessa modalidade de repositório onde os projetos open source acabam sendo hospedados, justamente para que o código fique exposto para a comunidade sem problemas.

E é justamente para a comunidade open source que o GitHub tem mais significado. O GitHub é uma plataforma estável e robusta, com mais de 10 anos de estrada e mais de 28 milhões de desenvolvedores e empresas como usuários. Entre essas empresas, nós incluímos os gigantes atuais da tecnologia: Google/Alphabet, Facebook, Amazon, Apple, Canonical e até mesmo a própria Microsoft.

Toda essa comunidade confiou hospedar seu código no GitHub justamente devido a sua robusteza e estabilidade, além de o GitHub ser uma plataforma fortemente comprometida com o open source desde suas origens.

E vem a Microsoft e… Compra o GitHub!

A Microsoft aceitou os termos de compra e iniciou o processo de absorção do GitHub em 4 de junho de 2018. O valor da compra foi especulado em cerca de US$ 7,5 bi. O interessante é que esse processo de compra não ocorreu do nada. Rumores apontam que as conversas sobre uma possível compra do GitHub por parte da Microsoft existiam desde 2017. Porém, o acordo de compra só foi finalizado de fato agora em 2018.

E isso desagradou uma parte da comunidade de desenvolvedores…

Uma parte da comunidade de desenvolvedores se revoltou com essa operação. Muito dessa revolta se deve ao fato da antiga postura da Microsoft, principalmente na década de 90 e até os anos 2000.

De fato, nesse tempo, a Microsoft não era uma empresa que apreciava muito o open source de maneira geral. Na verdade, ela tinha uma postura completamente adversa, sendo uma grande defensora do software proprietário em geral e até ignorando a existência de soluções open source de grande qualidade. De fato, a comunidade open source em geral via na Microsoft um grande demônio que procurava destruir as iniciativas open source para obter o monopólio do mercado .

E isso, de fato, seria motivo mais do que suficiente para assustar a todos os desenvolvedores e empresas com seus projetos open source hospedados no GitHub.

Mas o fato da Microsoft ter comprado o GitHub não é motivo de pânico e medo!

Acredito que não há motivo de pânico, mesmo com toda a história, no fato de a Microsoft ter comprado o GitHub. E acredito que isso seja devido a uma pessoa em especial: Satya Nadella.

Satya Nadella é um indiano que foi nomeado CEO da Microsoft em 2014, no lugar de Steve Ballmer (especialmente famoso pelo vídeo “Developers, Developers, Developers!” e pelas apresentações um pouco… extravagantes). E essa mudança de comando na Microsoft provocou uma série de mudanças no mindset da companhia.

Satya Nadella provocou uma revolução na maneira como a Microsoft encara o desenvolvimento de software: Nadella tornou a Microsoft uma adepta e grande incentivadora do software livre e das comunidades de desenvolvimento, ao mesmo tempo que convergiu as estratégias da Microsoft para ferramentas baseadas em nuvem, inteligência artificial e machine learning (tirando um pouco de foco dos lendários produtos da Microsoft – Windows e Office).

Hoje podemos ver uma série de resultados originados a partir dessa mudança de comportamento no mercado:

  • A Microsoft, em pouco mais de 4 anos, já se tornou a maior contribuidora de software open source no mundo, disponibilizando mais de 4000 profissionais diretos para a colaboração de projetos open source;
  • A grande maioria dos produtos da Microsoft hoje é completamente open source: ferramentas como o .NET Framework (Core), Visual Studio Code, TypeScript e o Xamarin hoje estão disponíveis no próprio GitHub para toda a comunidade. Isso também tornou a comunidade ativa e como parte importante no que diz respeito à evolução destas e outras tecnologias open source da Microsoft – ou seja, a comunidade tem voz ativa no desenvolvimento destas ferramentas;
  • Atualmente, a Microsoft está entre as cinco maiores contribuidoras do… kernel do Linux! Isso era algo simplesmente inimaginável há pouco tempo atrás. Então provavelmente você está usando algum código open source da Microsoft agora, mesmo que não utilize nenhuma ferramenta da empresa de Redmond. Ah, inclusive, a Microsoft lançou recentemente sua própria distribuição Linux, o Azure Sphere OS.

Estes são só alguns dos pontos que mostram que, nos últimos 4 anos, a Microsoft realmente mudou completamente seu pensamento com relação ao open source. Eu, particularmente, acredito nessa mudança, mesmo porque ela já se mostrou muito sólida e sem volta. Não vejo mais motivos de a Microsoft querer “quebrar” a comunidade open source.

Muitas pessoas citam os casos da Nokia e do Skype para justificar o pensamento de que a Microsoft irá “estragar” o GitHub. Eu acho esse pensamento muito raso por alguns motivos:

  • O Skype (2011) e a Nokia (2013) foram adquiridos ainda na época do Steve Ballmer. A empresa, como mostrado anteriormente, tinha uma filosofia completamente difernete da atual;
  • Não dá para compararmos a Nokia e o Skype com o GitHub. São produtos completamente diferentes, voltados para públicos completamente direrentes e que serão geridos por divisões da Microsoft completamente diferentes. São casos, em minha opinião, muito heterogêneos para serem comparados com propriedade e seriedade.

Por que a Microsoft comprou o GitHub?

O motivo exato ainda não está muito claro nem para quem trabalha dentro da própria Microsoft… Mas eu arrisco um palpite: acredito que a Microsoft tenha dois objetivos principais: se aproximar mais ainda da comunidade de desenvolvedores estando à frente de uma ferramenta que está entre as mais populares para desenvolvedores de software e fornecer uma integração mais sólida e prática com sua plataforma de nuvem, o Azure.

Estes dois objetivos parecem fazer muito sentido… Hoje, empresas de tecnologia conseguem compreender o poder que a comunidade de desenvolvimento tem e, por isso, estas empresas sabem que é necessário estar o mais próximo possível dos desenvolvedores, que são uma peça-chave na área de computação. E também parece bem coerente querer oferecer uma integração maior com o Azure a partir do local onde uma boa parte do código de aplicações está hospedada.

Para mim, isso ficou mais nítido ainda no comunicado oficial da Microsoft, no qual ela afirma que o GitHub responderá à Microsoft Cloud e ao vice-presidente da área de AI da empresa.

A Microsoft vai mudar o GitHub?

A Microsoft deixa claro em seu post oficial sobre o assunto que não vai mudar absolutamente nada no GitHub. E uma eventual mudança nem teria sentido, nem em questões tecnológicas, como em questões de negócio. Essas mudanças seriam inviáveis justamente por causa do tempo de estrada, estabilidade e reputação do GitHub. Não estamos falando de uma empresa de 3 anos, estamos falando de uma empresa com mais de 10 anos de estrada. E não é nem um pouco viável alterar os trilhos de 10 anos de história sob nenhuma ótica.

Para mostrar e deixar isso claro à comunidade, a Microsoft já nomeou Nat Friedman como o novo CEO do GitHub. Friedman é um dos fundadores da Xamarin e sempre deixou claro seu apoio ao open source, trabalhando com projetos da comunidade desde 2009.

Friedman, em um post de boas-vindas à integração Microsoft + GitHub, como novo CEO do GitHub, já deixou bem claro alguns pontos que preocupavam a comunidade:

  • O GitHub continuará com o modelo atual de negócios, ou seja: ele continuará aberto a comunidade e proverá serviços adicionais através dos valores citados. O foco do GitHub continuará a ser o desenvolvedor e suas comunidades. Nada irá mudar nesse sentido;
  • O GitHub irá operar de maneira 100% independente da Microsoft, como se fosse de fato uma subsidiária (em um modelo muito parecido com o que acontece com o .NET através da .NET Foundation).

Com estas afirmações (e são afirmações que não tem o porquê de não serem cumpridas), não há o menor motivo para preocupação com relação ao GitHub.

E agora?

Agora não há muito o que fazer, a não ser aguardar. Eu particularmente vejo que tanto a Microsoft como o GitHub podem crescer com essa junção. E se Microsoft e GitHub saírem ganhando, todos nós saímos ganhando também no final. Acredito que seria muito mais complicado se a Google (com suas políticas de privacidade duvidosas), o Facebook (com toda a complicação da licença do React) ou a Oracle (com sua mentalidade ainda mais voltada a software proprietário – vide o que aconteceu com o Java) tivessem comprado o GitHub. Mas, se tratando da nova Microsoft, acredito que isso possa ser interessante.

É importante também notar que esse tipo de transação no mercado é mais que comum… Não podemos esquecer que o GitHub também era uma empresa, tanto é que cobrava por determinados serviços. Empresas de sucesso no mercado estão suscetíveis a serem compradas por empresas maiores. Faz parte do mecanismo como um todo, e isso não precisa ser necessariamente ruim. E, provavelmente, ainda veremos situações como essa acontecerem mais vezes.

Vamos aguardar…

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