TW Entrevista 02: Felipe Moura

Olá, Web Developers!

Na semana passada o entrevistado foi o Maujor.

Hoje trazemos pra vocês a segunda entrevista de uma série que publicaremos nas próximas semanas. E o entrevistado dessa vez é o Felipe Moura.

Fale um pouco sobre você (de onde é, onde mora, o que faz, onde trabalha atualmente, etc);

Sou o Felipe Moura, tenho 32 anos, nasci e moro em Porto Alegre, e sou sócio e co-fundador tanto da Nasc quanto da BrazilJS.

Atuo hoje como CTO na Nasc e coordeno o planejamento, estratégia e execução dos eventos da BrazilJS.

Também trabalho com consultoria e treinamento, escrevo artigos, produzo vídeos e palestro em diversos eventos.

Sou apaixonado por tecnologias web e estou sempre estudando e desenvolvendo alguma coisa nova 🙂

Quando e como você começou a se interessar pela área?

Eu sempre fui meio nerd! Gostava de matemática, física, química… mas como nossa família não tinha muito dinheiro, só fui ter meu primeiro computador aos 18 anos de idade.

Eu dizia que queria ser um inventor. Bom, hoje eu acho que sou, pois posso pegar um arquivo em branco e transformá-lo em uma ferramenta, um site… algo útil para as pessoas.

Acho que ser apaixonado pelo que se faz é a chave para fazer direito, para se manter aprendendo e humilde, para se manter empolgado! É uma área que nunca para!

Como foi seu primeiro trabalho na área?

Eu trabalhava quase como escravo na época! Trabalhava no mínimo 12 horas por dia em uma confeitaria (sim, confeitaria hehe) para poder pagar o meu curso técnico.

Aí consegui um estágio em “suporte técnico” ganhando a metade do salário, mas trabalhando a metade do tempo, e isso mudou tudo! Eu passei a estudar programação na outra metade!

Em especial, passei a estudar JavaScript, uma linguagem que ninguém ensinava em lugar nenhum, mas que eu estava adorando conhecer, descobrir e hackear.

Ai um professor me indicou para uma vaga de desenvolvedor web e, pela primeira vez, passei a ter o tempo integral dedicado à programação web… felizmente, tive um mentor nesta empresa que manjava muito de JavaScript e aí sim, me aprofundei muito mais na linguagem.

E claro, praticava em casa também e, à noite, acessava a internet (à noite porque era discada e gastava menos na conta do telefone hehe) e conferia tudo aquilo que eu ainda não tinha entendido.

Nesta empresa eu era Developer Jr. trabalhando em um sistema GIS (de Geoprocessamento).

Como foi e como surgiu a ideia de criar a BrazilJS? Qual a sensação de ser responsável por algo que hoje em dia é mais do que apenas uma conferência?

A gente (Jaydson e eu) já éramos apaixonados por JavaScript e sabíamos que aqui no Brasil simplesmente não existiam cursos sobre a linguagem. Artigos em português eram quase zero e normalmente muito atrasados.

Palestrávamos em eventos PHP e Software Livre na época e pensamos “hm, precisamos fazer um evento sobre JS por aqui!”.

Bem nesse ano nasceu a JSConf, lá nos EUA, e aí nós decidimos que PRECISÁVAMOS fazer um evento sobre JS no Brasil! Começamos a organizar algumas coisas, levantando patrocinadores e contactando palestrantes.

Aí ouvimos falar que o Cristiano Milfont estava com planos lá em Fortaleza, já confirmando local e data. Conversamos e juntamos as forças.

A BrazilJS nasceu com a empolgação que a gente tinha e a paixão em trabalhar com as comunidades e com essa tecnologia. E é a comunidade que nos motiva ainda mais!

A primeira edição foi a maior do mundo, com cerca de 500 pessoas (a dos EUA tinha contado com menos de 200).

Nós vimos que não éramos os únicos por aqui sentindo essa carência e a comunidade foi super receptiva e motivacional! No segundo evento em diante, Milfont não pôde mais participar da organização por motivos pessoais, e aí trouxemos o evento para Porto Alegre, expandimos para 1000 lugares e lotamos o teatro!

Até hoje, organizar a BrazilJS nos toma muito tempo. Levamos mais de 1 ano para produzir cada edição, custa BEM caro e levanta vários riscos! Mas fazemos isso tudo com muito gosto e paixão justamente porque temos essa comunidade linda nos apoiando, enviando feedback, interagindo, contribuindo! Isso tudo é muito gratificante e é nosso combustível <3

E é incrível acompanhar essa evolução, pois hoje vemos cursos, cadeiras em faculdades, vagas, tudo pensado para o desenvolvedor JS. Isso é muito legal!

Na sua visão, qual a importância de se aprender JavaScript hoje em dia?

Sou suspeito, hehe, sempre fui defensor do uso do JS para ensinar iniciantes, por exemplo.

Com JavaScript podemos não só ensinar lógica, mas também diversos paradigmas. Podemos ensinar Orientação a Objetos, Programação Funcional, Procedural, podemos debugar e mostrar, literalmente, um passo a passo do que está acontecendo de forma muito visual, e tudo isso "a um F5 de distância"!

Além disso, quando começamos, JavaScript era "a linguagem usada para validar formulários". Mas a linguagem tomou proporções épicas, invadiu todo tipo de ambiente, servidores, bancos de dados, cli, hardware…

O JS tinha seus problemas, mas está atingindo uma maturidade incrível e, na minha opinião, é um exemplo bem sucedido de trabalho das comunidades na evolução de uma linguagem! Vide por exemplo CoffeeScript ou TypeScript… o JS não tentou "concorrer" com elas, mas sim, escutou elas, viu o que tinha de melhor e incorporou.

Para o mercado, JavaScript é quase inevitável! Não importa qual a ponta de atuação, é muito difícil não estar exposto à necessidade de escrever algum código em JS!

O que você enxerga como mais desafiador no seu trabalho? Quais as suas partes mais e menos favoritas?

Hoje atuo de várias formas. Sou empresário, sócio cofundador da Nasc e isso faz com que precise lidar com diversas coisas que, na carreira de programador, não precisava nem me preocupar.

Isso é bem desafiador, mas é também bastante empolgante. Estou sempre aprendendo coisas novas e, assim como a novos desafios, também ficamos expostos a novas conquistas! Temos aprendido e conquistado muito nestes últimos anos.

Organizar eventos tem, por si só, vários desafios e riscos… acho que se fizéssemos eventos mais "tradicionais", ou "comerciais", não teríamos a mesma motivação! É essa comunidade que nos motiva tanto e nos faz amar o que fazemos 🙂

Adoro palestrar por exemplo, acho muito divertido produzir materiais em vídeos, demos e também escrever artigos… pra mim, isso tudo é lazer, não é trabalho!

Acho que a única coisa que eu diria que é "menos favorita" é a parte burocrática, que nesse pais é "ginórmica", absurda, demorada, chata e, claro, obrigatória! Lidar com toda essa burocracia toma tempo, demanda esforço (tem que cuidar pra não desmotivar), custa dinheiro, exige atualização e estudo…

Quais fontes você mais usa para se manter atualizado?

Eu passo o dia todo estudando, na verdade! Qualquer tweet que vejo com alguma curiosidade que eu desconhecia, ou alguma dúvida de alguém, é uma oportunidade para expandir os horizontes!

O próprio conteúdo produzido pela BrazilJS, seja no portal, newsletter, YouTube tem sempre notícias e links úteis que me mantem informado também, sempre tem muita coisa legal!

Além disso, como sou um GDE (Google Developer Expert em Web Technologies), recebemos periodicamente alguns e-mails com novidades e temos grupos de discussão (slack, telegram, whatsapp, e-mail…) onde o pessoal troca umas ideias de peso!

Trabalhar com eventos também viabiliza muito isso! Como participo de vários eventos palestrando também, eu sempre faço questão de assistir o maior número de palestras possível, de conversar com o pessoal pelos corredores e de conhecer os palestrantes. Isso agrega MUITO, não tem nem como mensurar!

Quando organizo eventos é mais difícil de assistir as palestras. É sempre muita correria, mas daí sempre tento assisti-las depois, já que sempre filmamos e publicamos em nosso canal no youtube.
Eventos oferecem não só conteúdo relevante, mas um networking fantástico, algo que levamos pra vida!

Leio MUITO artigo também, em diversos portais. É legal diversificar suas fontes de conteúdo, ajudam a deixar a mente afiada! E estou falando de "diversificar" em todos os sentidos, desde a fontes em portais variados a autores.

StackOverflow, MDN e Github são também fontes fantásticas de conhecimento 🙂

A BrazilJS hoje, além de ser uma das maiores conferências de JavaScript do mundo, também produz vários conteúdos para a comunidade, seja em forma de artigos ou vídeos. Quais os próximos planos e o que podemos esperar em 2018?

A gente não para! hehe

Felizmente a BrazilJS tem sido, nesses últimos anos todos, o maior evento do mundo sobre JavaScript, considerando eventos "single thread", onde temos um único palestrante por vez, falando para 100% da audiência.

Alguns eventos tem mais público, mas divididos em salas menores e o pessoal acaba tendo que se dividir! Nós optamos por fazer sempre com palco único e garantir a mesma experiência a todos 🙂

E tem sido também um dos principais eventos de tecnologia da América Latina, e é justamente pensando nisso que esse ano teremos algumas novidades!

Em 2017 já fizemos uma experiência que deu super certo, voltamos às origens e fizemos duas edições da BrazilJS, uma em Porto Alegre e uma em Fortaleza, cidade onde ocorreu a primeira edição.

Para 2018, estamos com um programa de eventos chamado "BrazilJS OnTheRoad", e teremos mais de 10 edições da BrazilJS espalhadas pelo país! 😮

Manteremos a edição de Porto Alegre como a maior, com palestrantes internacionais e toda a experiência que o pessoal já está acostumado, mas teremos aqui a oportunidade para fomentar comunidades e mercados em lugares variados pelo Brasil e também, a chance de conhecer muita gente nova e descobrir novos palestrantes que hoje estão muitas vezes "escondidos" ou esperando por uma oportunidade como essa!

Acompanhem a gente em nossas redes sociais que faremos anúncios com cronogramas muito em breve!

Quanto a vídeo, isso é outra coisa que demanda muito tempo, esforço, planejamento e dinheiro… mas esse ano conseguimos algumas parcerias incríveis e estamos trabalhando na produção de um novo material e novos programas dentro do nosso canal. Em breve já teremos novidades muito legais para anunciar!

Fique ligado!

Para seguir o Felipe Moura nas redes sociais:

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Graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Pós-graduado em Projetos e Desenvolvimento de Aplicações Web. Especializado em Front End e curte desenvolvimento de jogos. Estudante de Machine Learning.

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