É possível usar Kotlin no back-end?

Nos últimos anos, várias linguagens de programação, como Python e as linguagens funcionais em especial, começaram a ser mais e mais adotadas pelo mercado em geral. Uma destas linguagens que começou a se tornar mais popular, apesar de uma história peculiar, foi o Kotlin, a linguagem de programação da JetBrains.

Muitos conhecem o Kotlin como a linguagem padrão para desenvolvimento na plataforma Android, já que a Google trocou o Java pelo Kotlin em 2017. Porém, poucas pessoas sabem que o Kotlin pode também ser utilizado no desenvolvimento back-end.

Antes de tudo: o que vem a ser o Kotlin?

O Kotlin é uma linguagem de programação completamente open source, multiplataforma e multiparadigma com forte influência de C#, Scala, Groovy e JavaScript. Softwares escritos em Kotlin podem ser compilados para três diferentes plataformas: para a JVM, rodando sob a infraestrutura da plataforma Java; para JavaScript, sendo possível compilar código Kotlin e gerar código inteiramente JavaScript; e para código nativo, através do LVVM. O LVVM é basicamente uma biblioteca modular de compiladores e ferramentas escritos em C++ que permitem a criação de compiladores. Embora o Kotlin ofereça todas essas possibilidades, seu uso mais comum ocorre no processo de compilação e execução na JVM, utilizando toda a infraestrutura da plataforma Java.

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O Kotlin foi criado em 2010 por Andrey Breslav, engenheiro de software da JetBrains. A JetBrains é a empresa responsável por excelentes ferramentas de desenvolvimento, como o IntelliJ IDEA, PhpStorm, WebStorm e Resharper. Andrey Breslav deu esse nome à linguagem por se tratar do nome de uma pequena ilha russa. A ideia foi seguir a mesma filosofia do nome do Java, já que Java também é o nome de uma pequena ilha na Indonésia. Embora o desenvolvimento da linguagem tenha iniciado em 2010, a primeira versão estável oficial foi lançada somente em 2016.

Segundo a JetBrains, o Kotlin foi criado para ser uma linguagem completamente voltada ao mercado e completamente interoperável com o Java (já que ambos são compilados para bytecode, código intermediário este que é executado pela JVM). Porém, a ideia é que o Kotlin solucionasse alguns pontos de design que eram considerados problemáticos no Java. Por isso, o Kotlin adota recursos de linguagem muito interessantes, como uma sintaxe sensivelmente menos ruidosa e verborrágica, a incorporação natural de conceitos de linguagens funcionais (principalmente com relação à aspectos de imutabilidade) e a proteção natural ao “erro de um bilhão de dólares”: as referências nulas, ou o famoso NullPointerException. O Kotlin possui uma maneira peculiar que faz com que as chances de ponteiros nulos sejam drasticamente reduzidas.

A sintaxe do Kotlin é de fato muito mais concisa, direta e expressiva. Enquanto um tradicional “hello world” em Java ficaria da seguinte maneira…

package br.com.treinaweb;

class HelloWorld 
{ 
    public static void main(String args[]) 
    { 
        System.out.println("Hello, World"); 
    } 
}

O mesmo “hello world” em Kotlin poderia ser escrito da seguinte maneira:

fun main() {
    println("Hello, World")
}

Atualmente, o Kotlin é patrocinado pela Kotlin Foundation, uma organização sem fins lucrativos formada pela JetBrains e pela Google.

O Kotlin pode ser usado no backend?

Sim, o Kotlin pode ser utilizado para desenvolvimento backend, além do desenvolvimento para Android. A interoperabilidade com o Java permite que você utilize os tradicionais e poderosos frameworks Java, como Spring e Hibernate, em conjunto com o Kotlin de maneira praticamente transparente. Isso permite obter toda a extensibilidade e maturidade característica dos frameworks e bibliotecas Java através de uma linguagem muito menos verbosa, com uma API mais agradável e com um design mais moderno.

De maneira geral, utilizar bibliotecas Java em conjunto com o Kotlin é algo praticamente transparente, sendo idêntico à utilização do Java. Porém, algumas bibliotecas podem ir contra alguns princípios da filosofia do Kotlin. Um exemplo clássico desse “choque” é o Hibernate sendo utilizado em um projeto baseado no Kotlin. Um dos princípios do design do Kotlin é a imutabilidade. O grande problema é que o Hibernate preza justamente pelo contrário, ou seja, pela mutabilidade das entidades que são manipuladas. Não é impossível utilizar o Hibernate junto com o Kotlin, muito pelo contrário… Mas, nessa situação por exemplo, pode ser necessário abrir mão de algumas ideias legais de design que o Kotlin tem.

O Kotlin vem sendo adotado com muita força pelo mercado desde 2017. Hoje, grandes empresas como Pinterest, Uber, Amazon, Prezi, Slack, além da própria Google e da JetBrains, utilizam o Kotlin para desenvolvimento de aplicações internas e externas. Isso têm feito com que frameworks e bibliotecas específicas para o Kotlin também surjam com frequência. Hoje temos, por exemplo, o Ktor, um framework Kotlin para desenvolvimento web; e o Exposed, um framework SQL da JetBrains completamente baseado no Kotlin. Além disso, uma pesquisa do StackOverflow elegeu o Kotlin como a segunda linguagem de programação mais amada pela comunidade. Estes dados mostram como o Kotlin hoje é uma opção que deve ser considerada seriamente ao se desenvolver aplicações multi-propósito, além de aplicações para Android.

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Responsável pelo sucesso do cliente na TreinaWeb. Graduada em Gestão de Tecnologia da Informação pela FATEC Guaratinguetá, além de estudante de Marketing Digital e Mídias Sociais.